ABRAÇÃO DE BOAS-VINDAS.



PODE ENTRAR. FIQUE Á VONTADE.

VOCÊ NO CANTO DA POESIA,

AO ENTRAR TRAZ ALEGRIA

AO SAIR DEIXA SAUDADE.

UM POUCO DE MIM



SOU PERNAMBUCANO NASCIDO EM GARANHUNS. CRIADO NO MATO, NA FAZENDA LAGOA DE BELAMENTE, DISTANTE 12 KM DO COLÉGIO DIOCESANO ONDE ESTUDEI O 1º CICLO. ANTES DISSO ESTUDAVA EM CASA NUMA ESCOLA RURAL FUNDADA POR MEU PAI, NO TEMPO DA PALMATÓRIA.
FOI UMA LINDA INFÂNCIA, CONVIVENDO COM UM POVO SIMPLES, HONESTO E TRABALHADOR.
APRENDI GOSTAR, ADMIRAR E SEGUIR ESSA GENTE BOA, HUMILDE, SINCERA, SOFREDORA, CHEIA DE SABEDORIA, DE RESPONSABILIDADE E DE ALMA FORROZEIRA, VERSOS BREJEIROS, DE BENDITOS E REISADOS, DE ABOIOS E TOADAS, DAS CONVERSAS SEMPRE AFINADAS E AS VIOLAS TAMBÉM.
DEPOIS DE HOMEM QUASE FEITO, FUI AOS POUCOS ME AFASTANDO, COMO TODOS OS RAPAZES DE CIDADES SEM INDÚSTRIAS, QUE SAEM A PROCURA DE MELHORES RUMOS. ESTIVE NA AERONÁUTICA, EM RECIFE, DOIS ANOS. EM 60 FUI TRABALHAR NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO. MAS MEU PENSAMENTO VIVIA NO NORDESTE, NA COMPANHIA HIDRO ELÉTRICA DO SÃO FRANCISCO, CHESF. EM 64 CONSEGUI UMA VAGA E ENTREI NA
MÃE CHESF. NELA GANHEI E GOZEI A VIDA. FIZ O 2º CICLO EM RECIFE E FIZ 8 CURSOS TÉCNICOS POR CONTA DA EMPRESA. (E POR MINHA CONTA ME ESPECIALIZEI EM DANÇA-DE-RODA, RABO-DE-SAIA, NOITES VIRADAS, LUZ NEGRA, PÉ-DE-BALCÃO, CAMA REDONDA E OUTROS CURSINHOS IMPORTANTES. SÓ NÃO FIZ O DE CACHAÇA, PORQUE ESSE EU JÁ TRAZIA). EM 27 ANOS DE AGRADÁVEIS SERVIÇOS PRESTADOS NA MÃE CHESF, VASCULHEI O NORDESTE DE CABO A RABO. TENHO POR ESSA EMPRESA, UMA VERDADEIRA GRATIDÃO. PELO RIO SÃO FRANCISCO, TENHO UMA LINDA VENERAÇÃO. ELE ME PARECE UM SANTO. COSTUMO DIZER QUE ESSE RIO VALE MAIS QUE DEZ MILHÕES DE POLÍTICOS. SEMPRE TORCI FERVOROSAMENTE PELO PROJETO DE TRANSPOSIÇÃO DAS ÁGUAS DO SÃO FRANCISCO. PRINCIPALMENTE POR PENSAR QUE A FINALIDADE PRINCIPAL DO VELHO CHICO É SERVIR Á POPULAÇÃO NECESSITADA. E UM PROJETO DO TEMPO DE D. PEDRO II, NUNCA SAIU DO PAPEL POR CULPA DE POLÍTICOS SALAFRÁRIOS. MAIS DE 100 ANOS DE SOFRIMENTOS, HUMILHAÇÕES E ATRASOS DE UM POVO CHEIO DE DECÊNCIA, DE DIGNIDADE.
NO 'GOVERNO LULA' HOUVE O PONTA-PÉ INICIAL E ESPERO QUE A DILMA TRAGA MUITA FORÇA E BOA VONTADE NA EXECUÇÃO DA OBRA E QUE DEUS COM A SUA SABEDORIA E BONDADE, PROTEJA ESSE PROJETO E NÃO O DEIXE POR AÍ NO ROL DAS OBRAS INACABADAS. NA CHESF, ‘ARRUDIANDO’ O NORDESTE POR ESTES SERTÕES QUERIDOS E SOFRIDOS, EU TIVE A SORTE DE PLANTAR, REGAR E COLHER OS FRUTOS DOS BONS CONVÍVIOS COM ESSE POVO BOM E AMIGO, NASCIDO E CRIADO NO SERTÃO, ONDE FUI ENGROSSANDO AS VEIAS DA POESIA. E DE TÃO ENFEITIÇADO PELAS COISAS DO SERTÃO, DEPOIS DE APOSENTADO (1991) FORAM SURGINDO MILHARES DE VERSOS E EU FUI TENTANDO FALAR DAS BELEZAS NATURAIS DO SERTÃO E DOS SEUS GUERREIROS QUERIDOS E INJUSTIÇADOS.


LIVROS PUBLICADOS:

COISAS DO SERTÃO E ÔTAS COISA
SERTÃO DE RIBA A BAXO
PASSADO NA PENEIRA
SERTÃO DE ESPINHOS E FLORES
SERTÃO DE RISOS E DORES
SERTÃO: O BERÇO DA POESIA
MEU SERTÃO SECO DE AJUDA
GARANHUNS, TERRA DAS FLORES, DE AMOR, DE PAZ E FRIO
DIZENDO COMO TE AMO
COQUITEL DE POESIAS
VAQUEJADAS E PRESEPADAS.

QUERO REGISTRAR AQUI A MINHA GRATIDÃO A QUEM PROCURA UMA FORMA DE ME AJUDAR.

UM ABRAÇO DE AMIZADE, DE PAZ E DE POESIA.


ALDEMAR.













domingo, 31 de janeiro de 2010

SEGURA NA MINHA MÃO..

SEGURA NA MINHA MÃO.

CARUARU, 31. 01. 2010


MINHA MÃE NÃO MORREU NÃO
ELA AJUDA EM MEUS POEMAS
MEXE COM OS MEUS DILEMAS
AFINA O MEU VIOLÃO.
SEGURA NA MINHA MÃO
DIZ QUE SOU O SEU MENINO
ILUMINA MEU DESTINO
DE MEU CORAÇÃO NÃO SAI
E ME ESPERA JUNTO A MEU PAI
PARA O DESCANSO DIVINO.

SE TU VINHÉ.

CASA DA CANGACEIRA MARIA BONITA.
MUNICÍPIO DE PAULO AFONSO-BA


SE TU VINHÉ.

DO LIVRO:
SERTÃO DE RIBA A BAXO.

À MINHA ADMIRADORA XUXA.

(NA LINGUAGEM SERTANEJA).



SE VINHERES NO SERTÃO
VOU TE DÁ EM MEU BARRACO
LENÇOL DE PANO DE SACO
PRA VOCÊ FORRAR NO CHÃO.

TE DOU UM PANO INCARNADO
PRA FAZER UMA RUDIA
DOU CABAÇA DE ÁGUA FRIA
PRA TU BEBER NO ROÇADO.

PRA JANTAR EU DOU UM TACO
DE GIRIMUM CUM FEIJÃO
XERÉM FEITO NO PILÃO
CAFÉ TORRADO NO CACO.

DOU FUBÁ CUM RAPADURA
DOU XEREM CUM CARNE ASSADA
DOU BEIJU, DOU IMBUZADA
DOU PREÁ E TANAJURA.

DE MENHANZINHA NÓIS COME
CUSCUZ CUM LEITE DE VACA
PRA PASSAR MINHA RESSACA
E PRA MATAR TUA FOME.

IMITANDO UM TROVADOR
FICO NO CHÃO ASSENTADO
CUM MEU VIOLÃO DE LADO
FAZENDO VERSOS DE AMOR.

DE LÁ DE RIBA DA SERRA
MANDO CANÁRIO E ROLINHA
VIM CANTAR PRA GALEGUINHA
MAIS FRESCA DA NOSSA TERRA.

EU TE DOU O VERMELHÃO
DO SOL NASCENDO NA SERRA
QUE NUM TEM NA TUA TERRA
DEVIDO A POLUIÇÃO.

TE DOU ÁGUA TRANSPARENTE
CORRENDO PELO RIACHO
QUE ISPIANDO PRA BAIXO
VER O RETRATO DA GENTE.

AS FLORES MATAM POR CERTO
A POLUIÇÃO VISUAL
DAS FLORESTAS DE CONCRETO
QUE SE VER NA CAPITAL.

DOU O SOM INTERROMPIDO
DE UM GRILO NO BARRACO
ESCONDIDO NUM BURACO
DO CHÃO DE BARRO BATIDO.

DOU A RESTA REDONDINHA
QUE SE SOME E APARECE
DO RAIO DE SOL QUE DESCE
DO TELHADO DA COZINHA.

DOU UM LENÇO DE CETIM
COM O TEU NOME BORDADO
DOU UM PENTE APROPRIADO
PRA CABELO PICHANHIM.

TE DOU UM CORTE DE CHITA
PRA TU FAZER UMA SAIA
TE DOU UM CHAPÉU DE PÁIA
CHEIO DE LAÇO DE FITA.

DOU A PEDRA DUM LAGEIRO
PRA LAVAR ROUPA NO RIO
TE DOU SABUGO DE MIO
PRA TU LIMPÁ O TRAZEIRO.

EU VOU MANDAR MUÇAMBÊ
MANDACARU E FAXEIRO
NO MONTURO DO TERREIRO
BOTAR FLORES PRA VOCÊ.

DOU A ROÇA DE FEIJÃO
DOU A BAIXA DE ARROZ
UMA ESTEIRA PRA NÓIS DOIS
MOSTRAR A NOSSA PAIXÃO

SE TIVER MUITO CALOR
TE DOU SOMBRA E ÁGUA FRIA
TE DOU UMA POESIA
PRA TEMPERAR NOSSO AMOR.

VOU DEITAR NO PÉ DA CAMA
FUNGAR NO PÉ DO OUVIDO
MARROTAR O TEU VESTIDO
VOU MOSTRAR COMO SE AMA.

DOU BATATA DE IMBUZEIRO
PRA MATAR A TUA SEDE
DOU UM BALANÇO DE REDE
NA SOMBRA DO JUAZEIRO.

DOU UM PÉ DE VENTO FRIO
DOU O BERRO DUM TROVÃO
DOU O SOM DUM VIOLÃO
SENTADO Á BEIRA DO RIO.

NO DIA DA ELEIÇÃO
TE AMARRO E DEIXO NUA
PRA VOCÊ NÃO IR PRA RUA
DAR SEU VOTO A UM LADRÃO.

EU TE DOU O PÉ DA SERRA
TE DOU A BOCA DA NOITE
DOU O VENTO DANDO AÇOITE
BEIJANDO A FACE DA TERRA.

TE LEVO NA VAQUEJADA
NA FOGUEIRA DE SÃO JOÃO
NAS CORRIDAS DE MOURÃO
NAS NOITES DE FARINHADA.

EU TE DOU A MINHA ALMA
QUE AS VEZES SE APERREIA
E SÓ NÃO FAZ COISA FEIA
PORQUE TE VER E SE ACALMA.

EU TE DOU A MINHA MENTE
MUITO CHEIA DE LIMPEZA
MAS COM A TUA BELEZA
SE SUJA E FICA INDECENTE.

EU TE DOU MEU CORPO INTEIRO
SABOROSO QUE NEM MEL
BONITO QUE NEM O CÉU
QUERIDO QUE NEM DINHEIRO.

VOU TE DÁ MEU CORAÇÃO
TE TIRAR DO ABANDONO
QUE LOURA BURRA SEM DONO
NÃO VALE NEM UM TOSTÃO.

MINHA MÃE.

MINHA MÃE.

CARUARU, JANEIRO/2010


MAMÃE PRA MIM NÃO MORREU
VIVE EM MINHA POESIA
MORA NO MEU CORAÇÃO
É A MINHA ESTRELA-GUIA.
AINDA GUARDO SEUS TRAÇOS
AINDA SIGO SEUS PASSOS
COMO EM CRIANÇA EU FAZIA.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

BAHIA DE TODO SANTO.

BAHIA DE TODO SANTO.

DO LIVRO:
SERTÃO DE RIBA A BAXO.

(NA LINGUAGEM SERTANEJA).


VÁ ANDÁ PELA BAHIA
VÁ CONHECER SALVADOR
TERRA CHEIA DE CALOR
DE SOMBRA, DE ÁGUA FRIA.
DE MACUMBA, DE XANGÔ
DE CARINHO NOITE E DIA
TERRA ONDE A POESIA
SÓ FALA COISAS DE AMOR.

TEM PRA TU SE BRONZEAR
O SOL QUENTE DE MANHÃ
NA PRAIA DE ITAPOÃ
DE BELEZA SEM IGUÁ.
TEM QUENTÃO, ACARAJÉ
TEM LICOR, TEM ABARÁ
CARURU E VATAPÁ
TEM BATUCADA E AXÉ.

TEM RODA DE CAPOEIRA
TEM A QUEDA DAS CASCATA
O GINGADO DAS MULATA
O BALANÇO DAS CADEIRA.
TEM AS FONTE QUE TE BANHA
NO CORRER DA MADRUGADA
O SABOR DAS PANELADA
NA LADEIRA DA MONTANHA.

TEM MUNGUNZÁ, TEM XIMXIM
TEM OS LAÇINHOS DE FITA
TEM AS IMAGEM BUNITA
NA IGREJA DO BOMFIM.
BIRIMBAL E AGOGÔ
NA FRENTE DO PELOURINHO
TEM POR TODO RECANTINHO
GENTE FALANDO DE AMOR.

NA PRAÇA PEGA-MENINO
TEM UMA TARDE DE FARRA
NA IGREJINHA DA BARRA
AS BADALADA DO SINO.
TEM A MULATA FAÇEIRA
LÁ NO MERCADO MODELO
DESASSENTANDO O CABELO
NA DANÇA DE GAFIEIRA.

VEJA A BELEZA QUI É
A ILHA DE ITAPARICA
E OS MISTÉRIO QUI FICA
NAS ÁGUA DO ABAETÉ.
ADONDE AS VISTA SE SOME
TEM IGREJA IM TODO CANTO
QUI NUM FOI A TÔA O NOME
BAHIA DE TODO SANTO.

VÁ ANDÁ PELA CIDADE
VÊ O BECO DO SOSSEGO
A RUA DO CHEGA-NÊGO
ISTRADA DA LIBERDADE.
O MIRANTE DOS AFLITO
RUA DOS QUINZE MISTÉRIO
ATÉ MESMO O CEMITÉRIO
DE SALVADOR É BONITO.

VÁ VER O PLANO-INCLINADO
RUA DA FORCA E LAPINHA
RUA CHILE E BARROQUINHA
SETE PORTA E ALAGADO.
VÁ OLHAR O DIA INTEIRO
MUIÉ PRETA E MUIÉ BRANCA
BALANÇANDO O PÁ DE ANCA
NA BAIXA DOS SAPATEIRO.

NUMA LOJA DE MACUMBA
TEM VELA DE TODA COR
TEM ATABAQUE E TAMBOR
TEM IMAGEM, TEM ZABUMBA.
INCENSO E ÁGUA-DE-CHEIRO
FIGA, FITA E PATUÁ
TEM TODO MATERIÁ
PRA UM BOM CATIMBOZEIRO.

TERRA DE GENTE FAMOSA
ZÉ DE ALENCAR, JOÃO UBALDO
IRMÃ DULCE, JORGE AMADO
CASTRO ALVES, RUI BARBOSA.
TERRA DO PADRE VIEIRA
DO PETRÓLIO E DO CACAU
DO SAMBA, DO CARNAVAL
CANDOMBLÉ E CAPOEIRA.

VEJA CUM DOCE CARINHO
O CHÃO DE PEDRAS ESCURAS
DE SANGUE DE CRIATURAS
NO LARGO DO PELOURINHO.
PALCO DE TANTA AFLIÇÃO
TANTO CORPO TORTURADO
TANTO SANGUE DERRAMADO
NO TEMPO DA ESCRAVIDÃO.

A BELEZA DA BAHIA
TÁ NA GRAÇA INFINITA
DE SUA GENTE BONITA
CHEIA DE DIPLOMACIA.
NO BALANÇO, NA MAGIA
NA BRINCADEIRA, NO SÉRIO
NO VENENO, NO MISTÉRIO
NO AMOR, NA POESIA.

BRASIL DE CABÔCO.

BRASIL DE CABÔCO.

DO LIVRO:
SERTÃO DE RIBA A BAXO.

(NA LINGUAGEM SERTANEJA).



SÓ SE VER IMPUNIDADE
INJUSTIÇA E SAFADEZA
DISCASO CUM A POBREZA
DISCURSO CUM FALSIDADE.
NO GUNVERNO HOJE IM DIA
SUA GRANDE MAIORIA
DE BANDIDO E DE LADRÃO
ROBA MUITO E PRODUZ PÔCO
NESSE BRASIL DE CABÔCO
DE MÃE PRETA E PAI JOÃO.

VERBA MAL DISTRIBUÍDA
O SUL BINIFICIADO
O NORDESTE ABANDONADO
A EDUCAÇÃO FALIDA.
REMÉDIO FALSIFICADO
HOSPITAL SUCATEADO
E SÓ VAI NUMA PRISÃO
AQUELE QUI ROBA PÔCO
NESSE BRASIL DE CABÔCO
DE MÃE PRETA E PAI JOÃO.

O SISTEMA CARCERÁRIO
CAUSA ATÉ REPUGNANÇA
O ABANDONO DE CRIANÇA
DISPENSA MEU COMENTÁRIO.
O GUNVERNO BRASILEIRO
TAPA ROMBO DE BANQUEIRO
E A GENTE DO SERTÃO
NUNCA SAIU DO SUFÔCO
NESSE BRASIL DE CABÔCO
DE MÃE PRETA E PAI JOÃO.

ROBAR VIROU BRINCADEIRA
VIROU PAÍS SEM COMANDO
NÃO SE PUNE CONTRABANDO
NEM O ROUBO DE MADEIRA.
FRONTEIRA JÁ VIROU ZONA
E NO FUTURO O AMAZONA
QUE DO MUNDO É O PULMÃO
NUM VAI TER MAIS NEM UM TÔCO
NESSE BRASIL DE CABÔCO
DE MÃE PRETA E PAI JOÃO.

NESE PAÍS FALTA TETO
REFORMA AGRÁRIA E EMPREGO
FALTA O PÃO E O SUSSEGO
A ISCOLA E O AFETO.
FALTA HONRA E CERIMONHA
FALTA ELEITOR TER VERGONHA
PRA NO DIA DA ELEIÇÃO
SE FAZER DE CEGO E MÔCO
NESSE BRASIL DE CABÔCO
DE MÃE PRETA E PAI JOÃO.

RESPOSTA DUM VAQUEIRO.

RESPOSTA DUM VAQUEIRO.

DO LIVRO:
SERTÃO DE RIBA A BAXO.

(NA LINGUAGEM SERTANEJA)



TU ERA NOVA E BUNITA
QUI NEM BUTÃO DE FULÔ
VOCÊ NEM USAVA CHITA
QUI TEU PAI NUNCA DEIXÔ.
E VOCÊ SEMPRE DIZIA
SE EU ME CASÁ UM DIA
SÓ ME CASO CUM DOTÔ.

EU TAVA DOIDO PUR TU
TAVA DE CABEÇA FRACA
FIZ TEU NOME CUM A FACA
NA CASCA DO PÉ DE IMBÚ.
PUR MIM NÓIS TINHA CASADO
SÓ PRA VIVER ATRACADO
FEITO CASTANHA E CAJU.

MAS VOCÊ ME REJEITÔ
QUANDO TE FALEI NAMORO
DIXE QUI ROUPA DE COURO
NUM É ROUPA DE DOTÔ.
E EU SAÍ TODO HUMILHADO
QUI NEM CACHORRO APANHADO
PELAS MÃO DO CAÇADÔ.

CUM A RAIVA QUI FIQUEI
FUI NO PÉ DE IMBUZÊRO
TIREI O CASCÃO INTÊRO
CUM O TEU NOME E QUEIMEI.
PASSEI A SEMANA A TÔA
QUI NEM SAPO SEM LAGOA
QUI NEM CEGO IM TIROTÊI.

ADISPOIS DE TANTOS ANO
VOCÊ VORTA ARRIPINDIDA
DIZENDO QUI TUA VIDA
FOI CHEIA DE DISINGANO.
DIZENDO QUI ME ADORA
E QUANDO RELEMBRA CHORA
DAQUELE DIA TIRANO.

MAS AQUELE MEU AMÔ
DE MUITOS ANOS ATRÁIS
TUA RESPOSTA MATOU
E ELE NÃO NASCE MAIS.
E FAZÊ OUTRO LETREIRO
NO TRONCO DO IMBUZEIRO
A MINHA FACA NUM FAIS.

ALÉM DISSO EU TE ACHO
MUITO FEIA PRA MEU GOSTO
CHEIA DE RUGA NO ROSTO
E OS PEITO LÁ IMBAXO.
E PRA SE ATRACÁ CUM TU
FEITO CASTANHA E CAJU
PODE CAÇAR OUTRO MACHO.

NUM TEM MAIS UM DENTE INTEIRO
A PELE É TODA MANCHADA
CHEIA DE VEIA QUEBRADA
A BOCA SÓ TEM MAL CHEIRO.
E A TUA MENTE NOJENTA
FOI MUITO MAIS FEDORENTA
DO QUE ROUPA DE VAQUEIRO.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

VENHA VER.

VENHA VER.


DO LIVRO:
SERTÃO DE RIBA A BAXO.

(NA LINGUAGEM SERTANEJA)


VENHA VER NO MEU SERTÃO
A BONITEZA DA LUA
QUE VALE POR DÉZ DA TUA
QUE NÃO TEM QUILARIDÃO.

VENHA VER A LIBERDADE
DE ANDAR DISPRIVINIDO
SEM TER MEDO DE BANDIDO
COMO NA TUA CIDADE.

VENHA VER A CONDIÇÃO
DO VENTO DA NOSSA TERRA
DESCENDO E SUBINDO SERRA
LIVRE DE POLUIÇÃO.

VENHA VER UM CANTADOR
FAZER VERSO DE REPENTE
BEM MELHOR DO QUE A GENTE
QUI É POETA ESCRITOR.

VENHA VER A DOR AMARGA
QUE RÓI O PEITO DA GENTE
DA SAUDADE PERMANENTE
QUI DEIXOU LUIZ GONZAGA.

VENHA VER SÓ AS RUÍNA
DA ANTIGA FERROVIA
QUE RESTOU DO QUE SERIA
A NOSSA TRANSNORDESTINA.

VENHA VER QUE GOSTO TEM
QUANTA VAIDADE INCERRA
A GENTE SER DE UMA TERRA
DE TANTA GENTE DE BEM.

VENHA VER A MALDIÇÃO
DA LEI QUE OBRIGA UM HOME
VOTAR DESENHANDO O NOME
NUM CANDIDATO LADRÃO.

VENHA VER QUANTO VALOR
O VELHO CHICO TEM PRA GENTE
VELE POR MIL PRISIDENTE
POR DEZ MIL GUNVERNADOR.

VENHA VER LÁ NO ROÇADO
OS ALIMENTO DA GENTE
CRESCENDO NATURALMENTE
SEM TER SIDO INTOXICADO.

VENHA VER IM MEU SERTÃO
UMA ESCOLA DE XAXADO
DO JEITO QUE ERA DANÇADO
NO BANDO DE LAMPIÃO.

VENHA VER LÁ PELOS MATO
O DESESPERO DO HOME
VER FILHO MORRER DE FOME
VER MUIÉ MORRER DE PARTO.

VENHA VER CUMA REVOLTA
VER UM VIÚVO OBRIGADO
VOTAR NO LADRÃO CULPADO
DA SUA MUIÉ TÁ MORTA.

VENHA VER CUMA SE TRATA
COM RESPEITO UMA FLORESTA
E OS ANIMÁ QUI RESTA
REPRODUZINDO NAS MATA.

VENHA VER CRIANÇA NUA
SEM SAÚDE E SEM ISCOLA
CRESCENDO SEM CHEIRAR COLA
SEM ASSALTAR PELA RUA.

VENHA VER ONDE É QUI TEM
SERTANEJA DE VERDADE
PASSANDO NICISSIDADE
SEM SE VENDER A NINGUÉM.

VENHA VER IM MEU SERTÃO
O BOM IXEMPLO DOS HOME
QUI MESMO PASSANDO FOME
NUM PENSA IM CORRUPÇÃO.

PORTA ESCANCARADA.

PORTA ESCANCARADA.

DO LIVRO:
SERTÃO: O BERÇO DA POESIA.



SE PRETENDES NOVAMENTE
ENTRAR EM MEU CORAÇÃO
EMPURRE A PORTA NORMALMENTE
NÃO TEM CHAVE NELA NÃO.

A PORTA DO CORAÇÃO
EU NUNCA DEIXO TRANCADA
VIVE SOMENTE ENCOSTADA
Á TUA DISPOSIÇÃO.

MAS SE ENTRARES AGORA
NESSE CORAÇÃO INGRATO
EU FECHO A PORTA POR FORA
E JOGO A CHAVE NO MATO.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

MARIDO DE HOJE.

MARIDO DE HOJE.

DO LIVRO:
COISAS DO SERTÃO E ÔTAS COISA.


BILHETE DE MANHÃ:


MEU QUERIDO MARIDÃO
FUI PRA RUA PAQUERAR
COMECE LOGO A TRABALHAR
COM RAPIDEZ E PERFEIÇÃO.

EU QUERO A CASA ARRUMADA
O BANHEIRO BEM CHEIROSO
O ALMOÇO BEM GOSTOSO
E A ROUPA BEM LAVADA

COM ESSE DINHEIRO AQUI
VÁ NA FARMÁCIA VIZINHA
E COMPRE DE CAMISINHA
QUE A NOITE EU VOU SAIR.

AO MEIO DIA DÊ O FORA
PODE SER QUE UM AMIGO
QUE VOU CONHECER AGORA
VENHA ALMOÇAR COMIGO.


BILHETE DA TARDE:


QUERIDO NÃO ESPEREI
QUE AQUELE COMPANHEIRO
QUE COM ELE ALMOÇEI
FOSSE TÃO BOM DE DINHEIRO.


MAS CHEGOU NA MINHA ADEGA
RECITANDO POESIA
BEBEU TUDO QUE HAVIA
FALANDO EM COISAS DO BREGA.

QUANDO FOI AO SANITÁRIO
URINOU DENTRO DA PIA
CAGOU FORA DA BACIA
E VOMITOU NO ARMÁRIO.

E NA HORA QUE EU CHEGAR
QUERO A SUITE ARRUMADA
E NÃO ESQUEÇA DE LAVAR
MINHA CALCINHA MELADA.

NÃO ESQUEÇA DE COMPRAR
NA FARMÁCIA DA VIZINHA
SONRISAL E CAMISINHA
QUE A NOITE VOU PRECISAR.

A MEIA NOITE DÊ O FORA
PODE SER QUE UM AMIGO
QUE VOU CONHECER AGORA
QUEIRA VIR DORMIR COMIGO
.

RÓI, RÓI.

RÓI, RÓI.

DO LIVRO:
COISAS DO SERTÃO E ÔTAS COISA.



O AMOR VIVE ROENDO
O CORAÇÃO APAIXONADO
COMO A GENTE RÓI A UNHA
QUANDO TÁ APAIXONADO.

A SAUDADE RÓI O PEITO
SE A PESSOA TÁ AUSENTE
QUANDO TÁ PERTO O DESEJO
RÓI O JUÍZO DA GENTE.

A TRAIÇÃO RÓI O AMOR
O ÓDIO RÓI O DESEJO
A BOCA FICA ROÍDA
NAS AGONIAS DO BEIJO.

O CIÚME RÓI OS NERVOS
QUANDO SE AMA BEM MUITO
COMO EMBAIXO DO CHÃO
O BICHO RÓI O DEFUNTO.

E A COISA RÓI A COISA
ACABA A COISA RUÍDA
QUANDO O BICHO RÓI O BICHO
E QUANDO A MORTE RÓI A VIDA.

DESODORANTE AFÁSTICE.

DESODORANTE AFÁSTICE.

DO LIVRO:
COISAS DO SERTÃO E ÔTAS COISA.

NA LINGUAGEM SERTANEJA.


VÁ TUMÁ BÃE MADALENA!
EU NUM VÔ NÃO IRACEMA
QUI A ÁGUA TÁ MUITO FRIA.
JÁ TÔ CUM O CORPO INCUÍDO
E PRA MUIÉ SEM MARIDO
PRA QUE BANHO TODO DIA?

PODE DÁ UMA GONGESTÃO
DIFRUSSO Ô CONSTIPAÇÃO
PODE DÁ PARALIZIA
FICÁ UM LADO ISQUICIDO
E PRA MUIÉ SEM MARIDO
PRA BANHO TODO DIA?

POSSO CAIR NO BANHEIRO
LEVÁ CHOQUE NO CHUVEIRO
OU SAIR DA ÁGUA FRIA
CUM O NARIZ INTUPIDO
E PRA MUIÉ SEM MARIDO
PRA QUE BANHO TODO DIA?

PODE ATACÁ O PULMÃO
PODE DÁ HIPERTENSÃO
COQUELUXE, DÔ DE UVIDO
OU UMA ÍNGUA NAS VIRIA
E PRA MUIÉ SEM MARIDO
PRA QUE BANHO TODO DIA?

EU NUM FAÇO ISCAVAÇÃO
NUM TRABAIO CUM CARVÃO
NUM TRABAIO IM OLARIA
NEM LIMPO ISGOTO INTUPIDO
E PRA MUIÉ SEM MARIDO
PRA QUE BANHO TODO DIA?

SE BÃE TIVESSE VALÔ
O CURURU ERA DOTÔ
O BODE TINHA MURRIDO
E OS PEIXE NUM FIDIA
E PRA MUIÉ SEM MARIDO
PRA QUE BANHO TODO DIA?

É SÓ BESTEIRA DO POVO
NÓIS LAVA E SUJA DE NOVO
FICA O TRABAIO PERDIDO
CUM COISA SEM SERVENTIA
E PRA MUIÉ SEM MARIDO
PRA QUE BANHO TODO DIA?

DEIXA CRIÁ TÊIA DE ARANHA
CRIÁ SEBO, CRIÁ BANHA
CRIÁ CASCÃO NAS VIRIA
SEMPRE TÁ TUDO PERDIDO
E PRA MUIÉ SEM MARIDO
PRA QUE BANHO TODO DIA?

DAQUELA NOITE DE AMOR.

DAQUELA NOITE DE AMÔ.

DO LIVRO:
COISAS DO SERTÃO E ÔTAS COISA.

(NA LINGUAGEM DO SERTANEJO)


ISSO JÁ FAIS MUITOS DIA
MAIS NUM ISQUICI AINDA
DAQUELA NOITE TÃO LINDA
TÃO CHEIA DE POESIA.

EU SINTIA NOS TEUS BEIJO
AQUELE TEMPERO BOM
QUI NEM GOSTO DE BATOM
MISTURADO CUM SUBEJO.

DOS MATO CHÊI DE URTIGA
DE MURISSOCA E FURMIGA
DA TUA BUNDA ARRANHADA
DOS VAGALUME AVUANDO
E DE NÓIS DOIS ISPIRRANDO
NA CHUVA DE MADRUGADA.

INTÉ HOJE NUM MISQUEÇO
DA FACADA NO MEU BOSSO
DUAS MANCHA NO PESCOÇO
E O CALÇÃO PELO O AVESSO.

NAS MINHAS COSTA FICÔ
A MARCA DA TUAS UNHA
SIRVINDO DE TISTIMUNHA
DAQUELA NOITE DE AMÔ.

COISAS QUE VI NO SERTÃO.

TRECHO DO CANAL DO SERTÃO. (OBRA EM EXECUÇÃO)
COISAS QUI VI NO SERTÃO.

DO LIVRO:
COISAS DO SERTÃO E ÔTAS COISA.

NA LINGUAGEM SERTANEJA.

VI AS MUIÉ DO SERTÃO
PERDENDO A SUA PUREZA
ISPIANDO AS SAFADEZA
QUI SAI NA TELEVISÃO.
VI ABOIO DE VAQUEIRO
VI LAVOURA SE PERDENDO
VI O SOL QUENTE BEBENDO
DA AGUINHA DO BARREIRO.

VI MINTIRA DE CAÇADÔ
VI MISTÉRIO DE CAIPORA
VI SARAMPO E CATAPORA
IMAGE INRIBA DE ANDÔ.
JUMENTO CAMBALEANDO
NO PESO DA MUIÉ MAGA
VI TODO MUNDO CANTANDO
COISA DE LUIZ GONZAGA.

VI A GATA SE LAMBENDO
NO BURRAIO DO FUGÃO
VI O MININO CUMENDO
O BARRO SUJO DO CHÃO.
VI A FALA SUFOCADA
DENTO DA GUELA DO HOME
QUANDO ELE VIU A OSSADA
DA VACA MORTA DE FOME.

VI O JUMENTO CAVANDO
A LAMA TODA RACHADA
VI O SOL QUENTE RACHANDO
A CRUZ DE BEIRA DE ESTRADA.
VI MININO SEM ISCOLA
VI A PANELA SEM NADA
VI A TRISTEZA CHORADA
NAS CORDA DUMA VIOLA.

VI A FESTA DOS ARUBU
NO BAFO QUENTE DO VENTO
VI O LINDO ATRIVIMENTO
DA FLOR DO MANDACARU.
VI QUANDO O SOL CLAREOU
BEIJANDO A BOCA DA MATA
VI A LUA COR DE PRATA
INCENTIVANDO O AMOR.

VI O ROSTO CHEIO DE PÓ
E O OLHAR DE DISINGANO
DA MOÇA DE TRINTA ANO
QUI FICOU NO CARITÓ.
VI NO MÊI DE TANTA SEDE
RASGA-MORTÁIA CANTANDO
VI O INTERRO PASSANDO
CUM O DIFUNTO NA REDE.

VI CASÁ SE AMANSEBANDO
PUR FARTA DE TISTIMUNHO
VI BARBULETA GIRANDO
PUR DENTO DO RIDIMUNHO
EU VI UM CABRA DA PESTE
NA PUÊRA ALEVANTADA
REPRESENTANDO O NORDESTE
NAS FESTA DE VAQUEJADA

VI A BATIDA SAUDOSA
DE UM CHUCALHO TOCANDO
VI CARRO-DE-BOI CANTANDO
CUM SUA VOZ TÃO GOSTOSA.
VI ENTRE O CÉU E A TERRA
UM PESADO NEVOEIRO
RASGADO PELO CRUZEIRO
QUI TEM NO ARTO DA SERRA.

VI VACA MORRÊ DE PARTO
SEM TER FORÇA PRA DÁ CRIA
VI ARUBU LÁ NO ARTO
PINOTANDO DE ALIGRIA.
VI A BEZERRA TÃO MAGRA
QUI VAI ANDÁ E NUM PODE
VI A ONÇA PEGANDO O BODE
QUI TAVA PEGANDO A CABRA.

VI A FAMA DE LAMPIÃO
A FÉ DE FREI DAMIÃO
A FORÇA DE PADIM CISSO.
VI ABELHA NO CURTIÇO
SEM FULÔ PRA FAZÊ MEL.
VI ASSENTADO NO CAMPO
O HOME ISPIANDO O CÉU
A PROCURA DE RELAMPO.

VI O BUZO BALANÇANDO
NO CINTURÃO DO VAQUEIRO
TERRA INTUPINDO BARREIRO
ANIMÁ CAMBALEANDO.
VI MUIÉ GEMER DE AMOR
DESAFIANDO A MISERA
VI FAXEIRO DÁ FULÔ
NO TELHADO DA TAPERA.

VI NA BEIRA DO CAMINHO
O COURO DUM BOI-DE-CARRO
A RAIVA DO JOÃO-DE-BARRO
TAPANDO A BOCA DO NINHO.
A BIZERRINHA TÃO FRACA
SÓ TINHA O OSSO E O COURO
VI O COITADO DO TOURO
CAIR DE RIBA DA VACA.

PRA TIRÁ A MINHA PAIS
VI MINHA QUERIDA TERRA
QUI TANTA BELEZA INCERRA
SOFRENDO CADA VEZ MAIS.
PRA CORTÁ MEU CORAÇÃO
VI GENTE PASSANDO SEDE
INQUANTO A MACONHA É VERDE
CUM ÁGUA DE IRRIGAÇÃO.

VI NO MÊI DESSA MISERA
O RETRATO DUM PREFEITO
SIRRINDO BEM SASTIFEITO
NA PORTA DUMA TAPERA.
MEU CORAÇÃO NÃO AGUENTÔ
AQUELE SORRISO INGRATO
EU RASGUEI O SEU RETRATO
E O MEU TITO DE INLEITÔ.

DOTÔ ORÉLIO E ZÉ DA ROÇA.

DOTÔ ORÉLIO E ZÉ DA ROÇA.

DO LIVRO:
COISAS DO SERTÃO E ÔTAS COISA.

(NA LINGUAGEM SERTANEJA)

DOTÔ ORÉLIO:
SEI DOS MORFOLÓGIOS SUBORDINATIVOS
PARA CONJUGAR EUFÔNICOS INCONECTIVOS
DOS PRETÉRITOS SINTÉTICOS SUPERLATIVOS.

ZÉ DA ROÇA:
EU SEI É CUMA É QUI É
CAGÁ PUR DENTO DOS MATO
E SE ALIMPÁ SEM TÊ PAPÉ.

DOTÔ ORÉLIO:
CONHEÇO OS PROTOZOÁRIOS VETORIAIS
DAS ANTROPOLOGIAS CONCORDANCIAIS
COM OS ALGÉBRICOS INCONDICIONAIS.

ZÉ DA ROÇA:
EU CUNHEÇO É MINHAS FIA
QUI A MÃE MORREU DE PARTO
SEM ASSISTENÇA PRA DÁ CRIA.

DOTÔ ORÉLIO:
JÁ VI A POLICROMÁTICA SINTÉTICA
DA PROPAROXÍTONA TRIGONOMÉTRICA
SEM MONOSSILÁBICA DE FONÉTICA.

ZÉ DA ROÇA:
JÁ VI FOI MUITO LADRÃO
NESSE GUNVERNO MARDITO
APRENDÊ FALÁ BUNITO
PRA VIM ROBÁ NO SERTÃO.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

NO CUME DAQUELA SERRA.

NO CUME DAQUELA SERRA.


DO LIVRO:
COISAS DO SERTÃO E ÔTAS COISA.



NO CUME DAQUELA SERRA
VIVO PLANTANDO TOMATE
A RAMA NO CUME CRESCE
E NA BEIRA DO CUME BATE.

SE ALGUÉM NO CUME PISA
O PÉ DE TOMATE MORRE
QUANDO PISAM NO TOMATE
O SUCO NO CUME ESCORRE.

TOMATE NO CUME VEM
TOMATE NO CUME VAI
VOU TRAZER PRA O LEITOR
TUDO QUE DO CUME SAI.

CAVEI BURACO NO CUME
ESTOU PLANTANDO COQUEIRO
PRA AUMENTAR MINHA RENDA
QUE O CUME DÁ DINHEIRO.

O PERFUME NO CUME BATE
COM O COQUEIRO FLORANDO
DE ABELHA O CUME ENCHE
E VÃO NO CUME CHEIRANDO.

A CHUVA NO CUME MOLHA
E FAZ O CUME ALEGRAR
E VOU VENDENDO AO LEITOR
TUDO QUE O CUME DÁ.

CUMA SE CRIÔSSE O RIO.

CUMA SE CRIÔSSE O RIO.

DO LIVRO:
COISAS DO SERTÃO E ÔTAS COISA.

(NA LINGUAGEM SERTANEJA)


SÃO PÊDO LÁ NO JAPÃO
FOI REZÁ IM ALEMÃO
O POVO NUM INTENDÊRO.

ELE REZÔ IM BRASILÊRO
NA LINGUAGE NORDESTINA
O POVO FICARO A TÔA.

ELE ROBÔ UMA ALEMÔA
E FOI MORÁ NA PALESTINA
INRIBA DUM PÉ-DE-VENTO.

ISCANHADO NUM JUMENTO
O PAI DELA FOI ATRÁS
COM A PEXÊRA NA MÃO.

SÃO PÊDO SENDO SIGUIDO
CORREU PRA MINAS GERAIS
CUM MEDO DA CAPAÇÃO.

PASSÔ A VIDA ISCONDIDO
SOCADO DENTO DAS MATA
LÁ NA SERRA DAS CANASTA.

E ERA TÃO GRANDE O RISCO
QUI O COITADO DE SÃO PÊDO
DE TANTO MIJÁ DE MEDO
NASCEU O RÍ SÃO FRANCISCO.

NO RONCO DA CACHOEIRA.

NO RONCO DA CACHOEIRA.

DO LIVRO:
COISAS DO SERTÃO E ÔTAS COISA.

(NA LINGUAGEM SERTANEJA)


DAS MUIÉ QUI IXISTIA
MADALENA ERA A MAIS BELA
E JESUS CRISTO DIXE A ELA
SE DISPESSA DA FAMÍA
PRA SÊ MINHA CUMPANHÊRA
QUE NÓIS VAI LÁ NA BAHIA
TUMÁ BÃE NA CACHUÊRA
QUI MEU PAI MANDÔ FAZÊ
PRA INFEITÁ O NORDESTE.
QUANDO CHEGÁ VOCÊ VAI VÊ
QUI BÃE GOSTOSO DA PESTE.

BOTE A CANGÁIA NA JUMENTA
E APREPARE OS MATULÃO
BOTE A MUCHILA DE PÃO
UMA JARRA DE ÁGUA BENTA
UMA DE VINHO TOMBÉM
UMA CÚIA DE XERÉM
A RAPADURA E A FARINHA
BOTE O FUMO E A PEXÊRA
E DE RUSÁRO BOTE UM MÓIO
QUI AMENHÃ DE MENHÃNZINHA
INQUANTO O DIABO ISFREGA OS ÓIO
EU QUERO TÁ NA CACHUÊRA.

PAULO AFONSO DE PREMÊRO
ERA MAIS HOSPITALÊRO
E QUANDO O CASÁ CHEGARO
UM RELAMPO DEU UM TIRO
QUI O SERTÃO FICÔ QUILARO.
OS ISPINHO SE SUMIRO
E AS FERA SE AFASTARO
OS PASSARIM SE AJUNTARO
NUM HINO MARAVILHOSO
E AS ÁGUA SE AMORNARO
PRU BÃE FICÁ MAIS GOSTOSO.

DE PUXA SACO ERA TANTO
QUI O CAMIM FICÔ FORRADO
DE GRAMA E DE CAPIM SANTO.
XIQUE-XIQUE E ALASTRADO
MANDACARU E FAXÊRO
E MAIS ÔTOS ISPINHÊRO
SE ARREDARO DA ISTRADA
OS ÍNDIO MONTARO GUARDA
REZANDO MISSA CANTADA
ADONDE TODA A BICHARADA
FAZIA O SINÁ DA CRUZ
E ARRANJARO UM JUMENTINHO
PRA FAZÊ UM AMÔZINHO
MAIS A JEGA DE JESUS.

SE ABRIU-SE AS FULÔ SILVESTE
E UM LINDO ARCO-CELESTE
FEZ UMA GRANDE RUDIA
PRU RIBA DA CACHUÊRA.
E SÃO PÊDO NESSE DIA
URINÔ TODA A BAHIA
MODE APAGÁ A PUÊRA.
INTÉ O RIO SÃO FRANCISCO
ABRANDÔ TODO O SEU RISCO
CUMA SE FOSSE UM RIACHO
BEJANDO AS FÔIA DE MATO
E AS ÁGUA LÁ IMBAXO
ISPERAVA DANDO SARTO.


JESUS CUM A TANGA RASGADA
ARGUMA COISA SAIU
MADALENA NUM VIU NADA
Ô ENTÃO FEZ QUI NUM VIU.
SE ISCONDEU NUM PÉ DE PAU
VISTIU O FIO DENTAL
E NO MEIO DO BARÚIO
QUI FAZIA A CACHUÊRA
CADA QUÁ DEU UM MARGÚIO
MADALENA FOI A PREMÊRA
E JESUS FOI O SIGUNDO
MADALENA TUMÔ NAS BÊRA
E JESUS FOI LÁ PRO FUNDO
PASSARO DEZ ANO DENTO
FOI O BÃE MIÓ DO MUNDO
DIZ O NOVO TESTAMENTO.

HOJE.

HOJE.

DO LIVRO:
COISAS DO SERTÃO E ÔTAS COISA.


SOMOS HOJE UMA NAÇÃO
DE MUDANÇAS EXTRAORDINÁRIAS
NOSSAS PENITENCIÁRIAS
NÃO TÊM SUPERLOTAÇÃO.
HOJE É SÓ TRANQUILIDADE
FOI EXTINTA A IMPUNIDADE
A REFORMA AGRÁRIA FOI FEITA
COM JUSTIÇA E COMPETENCIA
E HOJE O POVO RESPEITA
AS VERBAS DA PREVIDÊNCIA.

HOJE NÃO SE ENCONTRAM MAIS
MENINOS DESABRIGADOS
OS NOSSOS POLICIAIS
SÃO HOMENS MORALIZADOS
NÃO HÁ DESFALQUE NO DINHEIRO
DO SISTEMA FINANCEIRO
HOJE A NOSSA CLASSE POBRE
JÁ NÃO É MAIS INFELEIZ
E NÃO TEM POLÍTICO NOBRE
COMO TEM EM MEU PAÍS.

HOJE NOSSAS RODOVIAS
VIVEM MUITO BEM MANTIDAS
HOJE SÃO DESTRIBUÍDAS
MILHÕES DE NOVAS MORADIAS.
E AS NOSSAS EPIDEMIAS
FORAM TODAS COMBATIDAS
NÃO HÁ MAIS SEQUESTRADORES
NEM TRÁFICO DE ENTORPECENTES
E OS NOSSOS PROFESSORES
GANHAM SALÁRIOS DECENTES.

DE VEREADOR A PRESIDENTE
SÓ TEM POLÍTICO DECENTE
QUE PROCURA HONRAR O NOME.
NO NORDESTE JÁ NÃO EXISTE
AQUELE QUADRO TÃO TRISTE
DE SECA, MISÉRIA E FOME.
EU HOJE POSSO DIZER
QUE ME ORGULHO DO BRASIL
MAS ISSO SÓ É HOJE PORQUE
É DIA PRIMEIRO DE ABRIL.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

PREFÁCIO I

PREFÁCIO.

PARA O LIVRO DE
EVANDRO BRANCO.
VAQUEJADAS DO PASSADO VOL. II


TEM FESTA NA MINHA TERRA
TODA A BICHARADA BERRA
PIPOCA UM TROVÃO NA SERRA
ALEGRANDO A PASSARADA.
TEM VEM-VEM ANUNCIANDO
UM NOVO LIVRO CHEGANDO
COM EVANDRO BRANCO CONTANDO
HISTÓRIAS DE VAQUEJADA.

NA SOMBRA DO MULUNGU
BERRA UM NOVILHO ZEBU
NO PÉ DE MANDACARU
CANÁRIO CANTA DE AÇOITE.
NAS DEPENDÊNCIAS DA MATA
SÃO JORGE FAZ SERENATA
E A LUA COR-DE-PRATA
ABRE A CANCELA DA NOITE.

NAS FESTAS DE VAQUEJADA
CANTA TODA A BICHARADA
E A NOITE ENLUARADA
DESPEJA TODO O SEU BRILHO.
LEVANTA-SE O PÓ DA TERRA
TODO O SILÊNCIO SE ENCERRA
A VACA DE LONGE BERRA
SENTINDO A QUEDA DO FILHO.

TEM SUCESSO NA CORRIDA
TEM ESPERANÇA PERDIDA
TEM MULHER E TEM BEBIDA
TEM ABOIO, TEM TOADA.
DESPERTA TODA A FLORESTA
O BOI TAMBÉM VAI A FESTA
E SÓ ELE É QUEM DETESTA
A FESTA DE VAQUEJADA.

TEM CANTIGA DE CORDEL
TEM MEDALHA, TEM TROFÉU
TEM
LULA BRANCO NO CÉU
DESEJANDO BOA SORTE.
ELE FAZ FESTA ANIMADA
ELE NÃO COBRA A ENTRADA
E NO CÉU A VAQUEJADA
ATÉ HOJE É UM ESPORTE.

TODO SERTÃO TÁ CONTENTE
O RIACHO BOTA ENCHENTE
VENDO
EVANDRO NOVAMENTE
COM NOVO LIVRO NA MÃO.
SUA MENTE ILUMINADA
ESPICHOU A CAMINHADA
E HISTÓRIA DE VAQUEJADA
ALEGRA TODO O SERTÃO.

QUEM ESTIVER SEM PAIXÃO
FIQUE LÁ NO MEU SERTÃO
ESPREMENDO UM CORAÇÃO
PRA BEBER PINGOS DE AMOR.
QUEM FICAR APAIXONADO
LEIA O LIVRO ENTITULADO
VAQUEJADAS DO PASSADO
PARA CURAR SUA DOR.

VI SÃO JORGE ABOIANDO
EM SEUS VERSOS COMENTANDO
QUE O LIVRO QUE TÁ CHEGANDO
É MELHOR QUE O PRIMEIRO.
E NÃO VOU CONTAR MAIS NADA
QUE HISTÓRIA DE VAQUEJADA
SÓ É MESMO BEM CONTADA
CONTADA POR UM VAQUEIRO.

PREFÁCIO II

PREFÁCIO.

PARA O LIVRO DE
EVANDRO BRANCO.
VAQUEJADAS DO PASSADO.


O HOMEM SER VAIDOSO
É OBRA DA NATUREZA
E EU HOJE COM CERTEZA
ESTOU SUPER-ORGULHOSO.
FIQUEI ATÉ VAGAROSO
COMO FICA UM BURRO MANCO
PORQUE PARA LHE SER FRANCO
A TAREFA NÃO É FÁCIL
TER QUE FAZER O PREFÁCIO
DO LIVRO DE EVANDRO BRANCO.

É LINDO NA VAQUEJADA
DOIS CORCÉIS E UMA RÊS
JESUS PROTEGENDO OS TRÊS
VAI TAMBÉM EM DISPARADA.
O POVO NA ARQUIBANCADA
PRA ELES TIRA O CHAPÉU
O HOMEM GANHA O TROFÉU
QUANDO O BOI PERDE O APOIO
UM ANJO TOCA UM ABOIO
NAS CORNETINHAS DO CÉU.

NESSA FELIZ EMPREITADA
EVANDRO FOI PIONEIRO
PORQUE ESSE É O PRIMEIRO
LIVRO SOBRE VAQUEJADA.
UMA OBRA DESTINADA
AOS VAQUEIROS DO SERTÃO
FEITA POR UM CAMPEÃO
DO NORDESTE BRASILEIRO
MEUS PARABÉNS, COMPANHEIRO
POR SUA DEDICAÇÃO.

PREFÁCIO III

PREFÁCIO.

DO LIVRO QUE ESCREVI PARA
NILTON CORRÊA DE OLIVEIRA.

VAQUEJADAS E PRESEPADAS.


O SERTÃO REJUVENESCE
NOVA ESTRELA RESPLANDECE
UM NOVO LIVRO APARECE
DESENTERRANDO O PASSADO.
O VAQUEIRO ESCREVE UM FILHO
E SOBRE NOVO ESTRIBILHO
A LUA DERRAMA O BRILHO
NO NORDESTE AGRACIADO.

UM NOVO TEMPO RAIANDO
NOVAS HISTÓRIAS CHEGANDO
UM ESCRITOR DESBRAVANDO
A SECA DE NOSSA TARRA.
A CANETA DE UM CALOURO
FAZ O SOL, NOSSO TESOURO
BORDAR COM FIOS DE OURO
O MANTO CINZA DA SERRA.

COM TODA A BELEZA SUA
A NOITE EXAUSTA RECUA
O SOL ENTREGA PRA LUA
UM SERTÃO CHEIO DE AMOR.
A ESTRELA DO ORIENTE
COM O SEU RAIO CADENTE
VEM ILUMINANDO A MENTE
DE UM VAQUEIRO ESCRITOR.

O SERTÃO TEM NOVA ALMA
A SECA BRAVA SE ACALMA
BROTARAM FLORES DE PALMA
MANDACARU E FAXEIRO.
PROSEIAM AS FERAS BRAVAS
ABRANDA O CALOR DAS LAVAS
EM HOMENAGEM AS PALAVRAS
ESCRITAS POR UM VAQUEIRO.

DEITA-SE O SOL NO POENTE
DESPERTA A NOITE INOCENTE
A ESTRELA DO ORIENTE
COM UM SORRISO DESPONTA.
NO JARDIM DAS BENEDITAS
CORREM AS FLORES AFLITAS
PRA LER AS COISAS BONITAS
QUE NILTON CORRÊA CONTA.

VEM SORRINDO A LUZ DIVINA
ILUMINANDO A CAMPINA
VEM A ÁGUA CRISTALINA
AFAGANDO OS ANIMAIS.
SÃO MILHARES DE FAMÍLIAS
SEGUINDO MILHÕES DE TRILHAS
ESCUTANDO AS MARAVILHAS
QUE O LIVRO DE NILTON TRÁS.

RI O SERTÃO BEM SERVIDO
CANTA O POVO ENVAIDECIDO
EM UM JARDIM COLORIDO
FLORES SE ENCHEM DE ORVALHO.
NUM ARVOREDO INFINITO
POR NILTON CORRÊA ESCRITO
BALANÇA UM LIVRO BONITO
PRESO NA PONTA DE UM GALHO.

NA COLINA O TROVÃO BERRA
UM CORISCO BEIJA A TERRA
NO ESPINHAÇO DA SERRA
FORMA-SE UM ARCO-CELESTE.
SÃO ASSIM ANUNCIADAS
HISTÓRIAS DE VAQUEJADAS
E CASOS DE PRESEPADAS
DOS VAQUEIROS DO NORDESTE.

UM COBERTOR DE GAROA
COBRE A FACE DA LAGOA
NO AÇUDE PELA PROA
OS SAPOS CANTAM TOADAS.
A PASSARADA VOANDO
PELO SERTÃO ABOIANDO
VAI ALEGRE DIVULGANDO
VAQUEJADAS E PRESEPADAS .

UM CHOCALHO NO CÉU BADALA
A VAQUEIRAMA SE CALA
PRA LER UM LIVRO QUE FALA
ENCANTOS DA SUA HISTÓRIA.
BATE FORTE O CORAÇÃO
DO VAQUEIRO DO SERTÃO
OLHANDO A RESSURREIÇÃO
DO SEU PASSADO DE GLÓRIA.

HOJE O CÉU VIROU SERTÃO
ONDE LINDA MULTIDÃO
EXIBE UM LIVRO NA MÃO
COMO SE FOSSE UM TROFÉU.
O PADRE CÍCERO ROMÃO
BENZE A PISTA DE MOURÃO
PRA AQUELES QUE JÁ ESTÃO
CORRENDO BOI LÁ NO CÉU.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

ONDE NÃO MORA NINGUÉM.

ONDE NÃO MORA NINGUÉM.

DO LIVRO:
SERTÃO DE RISOS E DORES.


DA CASINHA ONDE MOREI
NO MEU TEMPO DE CRIANÇA
HOJE SÓ RESTA A LEMBRANÇA
DO TEMPO BOM QUE PASSEI.
ESSE ANO EU VISITEI
MEU RANCHO VELHO QUERIDO
MAS FIQUEI MUITO SENTIDO
COM TANTO ESTRAGO QUE VI
E PRA SOFRER O QUE SOFRI
ERA MELHOR NÃO TER IDO.

NÃO VI O FOGÃO DE BRASA
NEM A BOCA DO BOEIRO
POR ONDE PASSAVA O CHEIRO
DO CAFÉ TORRADO EM CASA.
AQUELE BULE SEM ASA
QUE ACHEI NO PÉ DO MURO
COSINHAVA O LEITE PURO
DA MINHA VACA PINTADA
DE QUEM SÓ RESTA A OSSADA
LÁ NO FINAL DO MONTURO.

É GRANDE A RECORDAÇÃO
DAS FESTAS QUE EU FAZIA
ATÉ O RAIAR DO DIA
NAS NOITES DE SÃO JOÃO.
AQUELE VELHO SALÃO
QUE HOJE ESTÁ SEM AS TELHAS
ACOMODAVA AS PARELHAS
DANÇANDO SAMBA DE RODA
E HOJE SÓ ACOMODA
AQUELE ENXAME DE ABELHAS.

CASA VELHA, VELHA AMIGA
QUE FOI TÃO BONITA UM DIA
PALCO DE TANTA ALEGRIA
HOJE O TEMPO TE CASTIGA.
VOCÊ HOJE NÃO ABRIGA
O IDEAL DE UM SONHADOR
NEM OS MURMÚRIOS DE AMOR
QUE OUVIA ANTIGAMENTE
ABRIGAS UNICAMENTE
SAUDADES DE UM MORADOR.

NA PORTA TEM UM BATENTE
COMIDO PELO CUPIM
PRA MOSTRAR O QUANTO É RUIM
CASA QUE NÃO MORA GENTE.
TEM UM ESTEIO NA FRENTE
QUE ANDA CAI-MAS-NÃO-CAI
JÁ TEM UM RACHÃO QUE VAI
ARRANCANDO DA PAREDE
O GANCHO DA VELHA REDE
ONDE DORMIA MEU PAI.

É TRISTE VER UMA CASA
SEM UM TOQUE FEMININO
SEM O CHORO DUM MENINO
QUAMDO O SEU MINGAU ATRASA.
NÃO TEM UM PREÁ NA BRASA
NEM O CHEIRO DE UM CUSCUZ
NÃO SE COLOCA UMA CRUZ
PENDURADA NA JANELA
NÃO TEM ROSÁRIO NEM VELA
NEM UM QUADRO COM JESUS.

TÃO LINDA QUE ELA ERA
FOI UM LAR DOCE E AMIGO
DEU PRAZER E DEU ABRIGO
DO INVERNO Á PRIMAVERA.
HOJE SEU NOME É TAPERA
CASEBRE, ESCOMBRO OU RUÍNA
OUVINDO COMO ROTINA
NO SEU TRISTE INTERIOR
O GRITO AMARGO DA DOR
QUE HOJE É SUA INQUILINA.

VELHOS TEMPOS DE FARTURA
DE QUADROS PELA PAREDE
DE CAMA POLTRONA E REDE
TODO ANO UMA PINTURA.
O CHEIRO BOM DE FRITURA
NA CHAMINÉ DA COZINHA
TANTA ALEGRIA QUE TINHA
MAS O TEMPO NÃO PERDOA
ESTÁ IGUAL A PESSOA
VELHA, DOENTE E SOZINHA.

DAQUELA VELHA CALÇADA
O SOPRO DA VENTANIA
CARREGOU A POESIA
QUE EU FIZ PRA MINHA AMADA.
E A LUA PRATEADA
OUVIU NO VELHO TERRAÇO
O MEU GEMIDO DEVASSO
FILHO DE UM AMOR TÃO LINDO
QUE HOJE ESTÁ SE ESVAINDO
NA VASTIDÃO DO ESPAÇO.

TANTO PRAZER, TANTO ORGULHO
TANTAS HORAS DE ALEGRIA
NO QUARTO QUE EU DORMIA
E HOJE SÓ TEM ENTULHO.
EU IMAGINO O BARULHO
QUE O TELHADO FAZIA!
CADA TELHA QUE CAÍA
EXPULSAVA UM PEDACINHO
DOS MOMENTOS DE CARINHO
QUE AQUELE QUARTO ESCONDIA.

NUMA NOITE DE VERÃO
NAQUELA VELHA CALÇADA
VENDO A LUA PRATEADA
FIZ UMA LINDA CANÇÃO.
O SOM DO MEU VIOLÃO
A SE EXPANDIR CONTINUA
E ATÉ HOJE FLUTUA
NA IMENSIDÃO DO ESPAÇO
CONDUZINDO O MEU ABRAÇO
DE GRATIDÃO PARA A LUA.

AQUELE ANTIGO JARDIM
TRATEI COM IMENSO ORGULHO
HOJE SÓ TEM PEDREGULHO
AS PLANTAS LEVARAM FIM.
O TEMPO LEVOU DE MIM
COM SUAS MÃOS CRIMINOSAS
AS PLANTINHAS TÃO VIÇOSAS
DE UM COLORIDO TÃO LINDO
ONDE EU SENTIA SORRINDO
O CHEIRO DE MINHAS ROSAS.

DÁ DESGOSTO UM AMBIENTE
QUE NÃO TEM UMA VIOLA
UM CANÁRIO NA GAIOLA
NEM UM CANTEIRO NA FRENTE.
NA CASA QUE NÃO TEM GENTE
TODA ALEGRIA TÁ MORTA
NÃO TEM FRUTEIRA NA HORTA
NO TELHADO CRESCE MATO
E UM DIABO DUM CANDIDATO
PÔE SEU RETRATO NA PORTA.

ATÉ NAS CASAS EXISTE
UM DESTINO DIFERENTE
TEM UMA BEM ATRAENTE
E OUTRA QUE É TÃO TRISTE.
TEM UMA QUE NÃO RESISTE
O DESPREZO DE ALGUÉM
TEM OUTRA QUE SE MANTÉM
A VIDA TODA HABITADA
E TEM A POBRE COITADA
ONDE NÃO MORA NINGUÉM.

ONDE NÃO MORA NINGUÉM
A TRISTEZA DÁ UM GRITO
DESCE UM GEMIDO ESQUISITO
LÁ DAS BANDAS DO ALÉM.
CASA VELHA NÃO MANTÉM
A VOZ DE SEUS HABITANTES
PRA LUGARES BEM DISTANTES
QUANDO A PAREDE RACHAVA
PELAS BRECHAS ESCAPAVA
TODA CONVERSA DE ANTES.

NA CASA SEM MORADOR
NÃO TEM UMA ZELADORA
NÃO TEM RODO NEM VASSOURA
FLANELA E ASPIRADOR.
NÃO EXISTE ESPANADOR
NEM SABÃO NEM DETERGENTE
BUCHA, BOMBRIL, REPELENTE
BOM-AR NEM DESINFETANTE
A CASA SEM HABITANTE
TEM CATINGA PERMANENTE.

TEM CASA MUITO BONITA
QUE NÃO TEM SERENIDADE
SÓ TRAZ INFELICIDADE
TRAZ O ÓDIO E A DESDITA.
TEM MANSÃO QUE É MALDITA
COM TODO SEU ESPLENDOR
NÃO TEM UM PINGO DO AMOR
DA GRAÇA E DA POESIA
DUMA SIMPLES ESTREBARIA
ONDE NASCEU O SENHOR.

NA CASA QUE NINGUÉM MORA
NÃO TEM CRUZ NEM ORAÇÃO
NÃO TEM MAIS FASCINAÇÃO
ENTARDECER NEM AURORA.
O DESPREZO LHE DEVORA
INVADINDO A PARTE INTERNA
NO CHÃO SE CRIA CAVERNA
ONDE NASCE O MAL-ASSOMBRO
E NO PÓ DO SEU ESCOMBRO
SÓ A SAUDADE É ETERNA.

NA CASA QUE MORA GENTE
UMA PATATIVA ESTALA
UM GRILO CANTA NA SALA
BERRA UM CABRITO NA FRENTE.
UM BODE NOVO CARENTE
ATRÁS DA CABRA BODEJA
UM PAPAGÁIO GAGUEJA
UM PALAVRÃO ESCORREGA
UM GATO MAGRO SE ESFREGA
NAS PERNAS DA SERTANEJA.

NA CASA QUE NINGUÉM MORA
NÃO TEM BAQUE NO FOGÃO
NEM BATUQUE NO PILÃO
NEM XERÉM FEITO NA HORA.
QUANDO O DONO VAI EMBORA
TUDO DE BOM TAMBÉM VAI
DALI AGORA NÃO SAI
MAIS UM VERSO DE REPENTE
CASA QUE NÃO MORA GENTE
SÓ DÁ CERTO QUANDO CAI.

ONDE MORA UMA FAMÍLIA
O BARULHO É ABUNDANTE
O VENTO SOPRA DISTANTE
O SOM DO RÁDIO DE PILHA.
A MÃE GRITA COM A FILHA
CAI UM BULE QUEBRA A ASA
VAI MORRER LONGE DE CASA
O ABOIO DUM VAQUEIRO
O GATO MIA NO CHEIRO
DA TRIPA ASSANDO NA BRASA.

NA CASA DESABITADA
O PISO SOFRE UM ABALO
A PORTA DÁ UM ESTALO
NA DOBRADIÇA EMPERRADA.
SÓ SE VER RIPA QUEBRADA
BURACO NA CUMEEIRA
CASA DE CARANGUEJEIRA
DE ARANHA E DE FORMIGA
COITADA DA CASA ANTIGA
SÓ A SAUDADE É INTEIRA.

A CASA É MAL-ASSOMBRADA
ONDE NÃO MORA NINGUÉM
QUAL É O GOSTO QUE TEM
UMA CASA ABANDONADA?
UM MORCEGO FAZ ZOADA
QUANDO VOCÊ EMTRA NELA
PULA UM RATO DA PANELA
MAGRO QUE SÓ UM PALITO
O VENTO DÁ UM APITO
PELAS FENDAS DA JANELA.

NA CASA DESOCUPADA
NÃO TEM O CANTO DO GALO
NEM O RINCHO DO CAVALO
NEM O BERRO DA BOIADA.
SÓ SE VER PORTA QUEBRADA
COM DOIS DEDOS DE POEIRA
TEM INCHU NA COMEEIRA
NO TELHADO CRESCE MATO
NO CHÃO BURACO DE RATO
CUPIM COMENDO A MADEIRA

NUMA CASA SEM FAMÍLIA
O SILÊNCIO É SEU VIZINHO
LÁ NÃO TEM UM PASSARINHO
NÃO TEM UM RÁDIO DE PILHA.
O QUE RESTOU DA MOBÍLIA
FOI UM PEGADOR DE BRASA
UM BULE VELHO SEM ASA
UMA JARRA NO OITÃO
UM PÉ DE MANJERICÃO
E A TRISTEZA DA CASA.

NUMA CASA DO SERTÃO
ONDE NÃO MORA NINGUÉM
NA COZINHA SEMPRE TEM
ALGUMA RECORDAÇÃO.
UMA FORQUILHA NO CHÃO
UMA CHALEIRA QUE VAZA
UMA BARROQUINHA RASA
PRA O POTE FICAR EM PÉ
E AS CINZAS DA CHAMINÉ
BORRANDO AS TELHAS DA CASA.

ONDE NÃO MORA NINGUÉM
O RATO VEM FAZER NINHO
NA BOCA DE UM MOINHO
ONDE QUEBRAVA O XERÉM.
NO MONTURO AINDA TEM
UM RESTO DE ARATACA
UMA BAINHA SEM FACA
UMA PENEIRA FURADA
UMA PANELA EMBORCADA
NA CABEÇA DUMA ESTACA.

MUITAS VEZES BENCEDINHO
EU VI DAQUELA CALÇADA
AO ROMPER DA ALVORADA
O SOL ABRINDO CAMINHO.
E HOJE O SOL BEM MANSINHO
ESCONDE A BELEZA SUA
NO HORIZONTE RECUA
DÁ UM SORRISO ESQUISITO
LIBERANDO O INFINITO
PARA O PASSEIO DA LUA.

ONDE TEM GENTE MORANDO
TEM ORQUESTRA NO BARREIRO
TEM O GRITO DO VAQUEIRO
QUE CHAMA O GADO ABOIANDO.
QUANDO O DIA VAI CHEGANDO
BEIJANDO A FACE DA TERRA
NA MATA A CORUJA BERRA
CANTA TRISTE UMA CIGARRA
SAI O SOL QUEBRANDO A BARRA
NO ESPINHAÇO DA SERRA.

NUNCA TEM JEITO O SERTÃO
COM GOVERNO VAGABUNDO
ROUBANDO DE TODO MUNDO
SEM FAZER IRRIGAÇÃO.
SE JOGAR ÁGUA NO CHÃO
DESSA TERRA ABENÇOADA
NOSSA GENTE TÃO HONRADA
NUNCA JAMAIS VAI EMBORA
E UM POETA NÃO CHORA
NA CASA DESABITADA.

UMA NUVEM AINDA VEM
PARECENDO UMA CORTINA
FAZER SOMBRA NA RUÍNA
ONDE NÃO MORA NINGUÉM.
A LUA BRANCA TAMBÉM
FICA LÁ NÃO VAI EMBORA
SOBRE A CASA VELHA CHORA
ATÉ O RAIAR DO DIA
DESPEJANDO POESIA
NA CASA QUE NINGUÉM MORA.

NUMA TARDE ENSOLARADA
COM O CALOR SUFOCANDO
PRA QUE O VENTO AREJANDO
A CASA DESABITADA?
E A CANCELA QUEBRADA
FICA FECHANDO E ABRINDO
AS DOBRADIÇAS RANGINDO
NO SEU TRISTE SOFRIMENTO
MAS PRA QUE TANTO LAMENTO
SE NÃO TEM NINGUÉM OUVINDO?

PRA QUE O SOL LOGO CEDO
COM SEU SORRISO BEM FARTO
INVADINDO AQUELE QUARTO
QUE GUARDA TANTO SEGREDO?
E POR QUE EU TENHO MEDO
QUE DESSA CASA VAZIA
POSSA SAIR ALGUM DIA
PRA SE PERDER PELO MUNDO
AQUELE AMOR TÃO PROFUNDO
QUE DENTRO DELA EU FAZIA?

FICA FECHANDO E ABRINDO
AQUELE PORTÃO DA FRENTE
COMO SE TIVESSE GENTE
POR ELE ENTRANDO E SAINDO.
EU TAMBÉM ESTOU SENTINDO
NO MEU PEITO O CORAÇÃO
IGUAL AQUELE PORTÃO
NUM VAI-E-VEM IMPERFEITO
ACHANDO PEQUENO O PEITO
PRA SENTIR TANTA EMOÇÃO.

PRA QUE AQUELA VARANDA
COM DOIS GANCHOS NA PAREDE
SE A COITADINHA DA REDE
NINGUÉM SABE ONDE ELA ANDA?
E PRA QUE SÃO PEDRO MANDA
O SEU ORVALHO CAIR
PRA ROSEIRA PRODUZIR
NUMA CASA ABANDONADA
SUA FLOR TÃO PERFUMADA
SEM TER NINGUÉM PRA SENTIR?

PRA QUE VEM UM PASSARINHO
GASTANDO A SUA CANTIGA
NO OITÃO DA CASA ANTIGA
QUE NÃO DÁ PRA FAZER NINHO?
PRA QUE O SOL BEM CEDINHO
MANDA SEU RAIO TÃO LINDO
ENTRAR NA CASA SORRINDO
PELAS BRECHAS DA JANELA
SE O POBRE FILHO DELA
NÃO TÁ LÁ DENTRO DORMINDO?

PRA QUE O SOL NO POENTE
PRA QUE LUA PRATEADA
PRA QUE A LINDA ALVORADA
SE NA CASA NÃO TEM GENTE?
PRA QUE ÁGUA NA VERTENTE
PRA QUE A LUZ DA AURORA
PRA QUE O POETA CHORA
SEU VERSO DOCE E AMIGO
SE NAQUELE VELHO ABRIGO
SÓ A SAUDADE É QUEM MORA?

PRA QUE VERDE NA CAMPINA
PRA QUE CANTA A PASSARADA
PRA QUE A NOITE ESTRELADA
SE A CASA ESTÁ EM RUÍNA?
PRA QUE NO CAMPO A NEBLINA
PRA QUE TANTA MARAVILHA
SE O SOL QUE TANTO BRILHA
COM TODA A SUA BELEZA
NÃO MANTÉM A CHAMA ACESA
NUMA CASA SEM FAMÍLIA?

PRA QUE INVADE O TELHADO
A COR DO CÉU TÃO AZUL
E O CRUZEIRO DO SUL
DEIXA O PORTÃO PRATEADO?
PRA QUE EU TER VIZITADO
MEU VELHO LAR TÃO AMIGO
SE O FIZ CHORAR COMIGO
E ELE ME FEZ SOFRER
SE OFERECENDO PRA SER
O MEU DERRADEIRO ABRIGO?

O SOL, A LUA E O VENTO
ESTRELAS, NUVENS E FLORES
SÃO DIVINOS PROTETORES
DE UM ANTIGO APOSENTO.
NOSSO PAI NO FIRMAMENTO
TAMBÉM SE EMOCIONA
A CASA SE DESMORONA
SÓ FICA DOR E TRISTEZA
MAS A SANTA NATUREZA
NUNCA MAIS LHE ABANDONA.

POR QUE NÃO MUDA DE COR
NEM A FERRUGEM AGRAVA
O PREGO QUE SUSTENTAVA
A CRUZ COM NOSSO SENHOR?
E POR QUE NO CORREDOR
COM A PAREDE EM RUÍNA
UMA ROSEIRA SE INCLINA
PRA FICAR NO CANTO EXATO
ONDE EU BOTAVA O RETRATO
DE MINHA MÃE CELESTINA?

EU ACHO QUE A NATUREZA
A QUEM ADMIRO TANTO
VAI REVERTER O ENCANTO
DA CASINHA CAMPONESA.
NELA SE MANTÉM ACESA
POR ORDEM DO CRIADOR
A LUZ COM TODO EXPLENDOR
DAQUELA ESTRELA SAGRADA
QUE ANUNCIOU A CHEGADA
DE JESUS NOSSO SENHOR.